O que é típico da Cidade do México

11 de novembro de 2022

City Game Mexico City

A Cidade do México é uma das maiores do mundo, situada a 2.240 metros de altitude numa bacia entre montanhas, construída sobre o lago drenado onde ficava Tenochtitlán, a capital asteca. Tudo nela decorre desses fatos: a altitude, os prédios que afundam, as camadas asteca, colonial e moderna empilhadas no mesmo chão.

Aqui estão as coisas pelas quais a cidade é realmente conhecida, e como fazer cada uma direito.

O centro, e o que está embaixo dele

O Zócalo é uma das maiores praças urbanas do mundo e está construído exatamente sobre o centro cerimonial de Tenochtitlán. Os espanhóis demoliram os templos astecas e usaram a pedra na catedral, e é por isso que a catedral está ligeiramente torta: o solo abaixo é leito de lago mole e a cidade inteira afunda, de forma irregular, num ritmo que se vê nos batentes das portas.

Ao lado da catedral, o Templo Mayor foi redescoberto em 1978, quando operários da rede elétrica cavando uma vala atingiram um disco esculpido de oito toneladas com a deusa da lua. A escavação que se seguiu abriu a base do principal templo asteca no meio da cidade moderna, e o museu ao lado guarda o que saiu do chão.

Perto dali, o Palacio de Bellas Artes é uma sala de concertos de mármore começada antes da revolução e concluída décadas depois, o que explica um exterior art nouveau e um interior art déco. Também está afundando, visivelmente.

Mariachi

A Plaza Garibaldi, ao norte do centro, é onde os grupos de mariachi se reúnem à noite esperando ser contratados. Você pode pagar um grupo para tocar uma música na sua mesa — é para isso que a praça serve — e o preço se negocia por música antes de começarem.

O mariachi vem de Jalisco, não da Cidade do México, mas Garibaldi é onde os músicos do país vieram procurar trabalho, e isso acontece há décadas. Vá à noite, vá acompanhado, e saiba que as ruas ao redor são melhor evitadas tarde da noite.

Tacos, do jeito certo

Tacos al pastor — porco marinado em pimentas e achiote, empilhado num espeto vertical com um abacaxi no topo e fatiado em pequenas tortillas de milho — são o taco emblemático da Cidade do México. A técnica veio de imigrantes libaneses no século XX que trouxeram o shawarma; a carne e as pimentas o tornaram mexicano.

Peça numa barraca com o espeto girando e fila na frente, peça con todo (cebola, coentro, abacaxi) e vá com calma na salsa da primeira vez. Dois ou três são um lanche, cinco são um jantar.

Além dos tacos: tlacoyos feitos na chapa da rua, mole num restaurante sentado, e churros com chocolate grosso de madrugada. A comida de rua aqui costuma ser segura se a barraca estiver movimentada e a comida for preparada na sua frente.

Tequila e mezcal

Ambos são destilados de agave. A tequila vem de uma única espécie de agave, cultivada sobretudo em torno da cidade de Tequila, em Jalisco; o mezcal pode ser feito de muitas espécies em vários estados, o mais famoso sendo Oaxaca, e costuma ser mais defumado porque os corações de agave são assados em fossas na terra.

O jeito local de beber qualquer um dos dois é puro, em goles pequenos, com fatias de laranja e uma mistura de sal com pimenta ao lado — não como shot com limão e sal, que é invenção estrangeira. O pulque, bebida fermentada de agave anterior a ambos, é espesso e ácido e servido numa pulquería; experimente uma vez.

Dia dos Mortos

Em 1 e 2 de novembro, as famílias montam altares para os seus mortos com fotografias, flores de cempasúchil, a comida de que a pessoa gostava e caveiras de açúcar. Não é um Halloween mexicano: o tom é afetuoso e doméstico, não assustador, e a ideia é que os mortos voltam para visitar.

Uma correção honesta: o enorme desfile pelo centro da Cidade do México é uma invenção recente. Não existia nenhum até 2016, quando a cidade criou um depois de um filme do James Bond abrir com uma versão fictícia dele. O desfile hoje é real e divertido, mas a tradição são os altares e os cemitérios, não os carros alegóricos.

Além do centro

O Museu Nacional de Antropologia

No parque de Chapultepec, e um dos grandes museus do mundo. A Pedra do Sol asteca está aqui, junto com as coleções maia, olmeca, zapoteca e de Teotihuacán. Reserve meio dia, não uma hora.

Coyoacán e Frida Kahlo

Uma vila colonial de ruas de pedra absorvida pela cidade, com mercados, praças e a Casa Azul, a casa azul onde Frida Kahlo nasceu e morreu. Os ingressos esgotam com semanas de antecedência e precisam ser comprados online; não apareça na esperança de entrar.

Xochimilco

Os canais e as chinampas — ilhas agrícolas artificiais — que sobreviveram do antigo sistema lacustre, no sul da cidade e parte de um sítio Patrimônio Mundial da UNESCO. Aluga-se uma trajinera, um barco chato pintado, por hora, e é uma atividade de fim de semana barulhenta, alegre e sobretudo local, não um passeio silencioso.

Teotihuacán

A cerca de cinquenta quilômetros a nordeste, a enorme cidade pré-asteca com as Pirâmides do Sol e da Lua. Uma coisa a saber: subir nas pirâmides está proibido desde 2020 para proteger as estruturas. Ainda dá para caminhar pela Avenida dos Mortos, e voos de balão ao amanhecer são uma alternativa comum.

Uma nota geográfica

A Cidade do México não fica nem perto do Caribe. Cancún e a Riviera Maya estão a mais de 1.300 quilômetros, duas horas de voo. Se quiser os dois na mesma viagem, planeje-os como destinos separados, não como bate-volta.

A cidade a pé

O centro histórico, Roma, Condesa e Coyoacán são todos realmente caminháveis, e as camadas ficam visíveis no nível da rua: pedra asteca num muro colonial, art déco acima de uma taquería. Um city game dá a você um percurso com algo para resolver em cada parada, o que combina com um centro onde o interessante está empilhado, e não espalhado.

Perguntas frequentes

A altitude vai me afetar?

Possivelmente, de leve, nos primeiros um ou dois dias: falta de ar nas escadas e um efeito mais forte do álcool. Beba água e vá devagar no primeiro dia.

A Cidade do México é segura?

Os bairros centrais e residenciais que os visitantes usam — Centro, Roma, Condesa, Coyoacán, Polanco — são tranquilos com as precauções normais de uma cidade grande. Use aplicativos de transporte em vez de táxis na rua e pergunte localmente sobre áreas que você não conhece.

De quantos dias eu preciso?

Quatro. Um para o centro, um para Chapultepec e o Museu de Antropologia, um para Coyoacán e Xochimilco, um para Teotihuacán.

Qual a melhor época para visitar?

De março a maio é quente e seco. De junho a setembro é a estação das chuvas, com pancadas fortes à tarde e não chuva o dia inteiro. Fim de outubro e início de novembro para o Dia dos Mortos.

A comida de rua é segura?

Em geral sim, em barracas movimentadas onde a comida é feita na hora à sua frente. O giro é o que você deve procurar.

A Cidade do México funciona para um grupo?

Muito bem: a comida é compartilhada, o centro é caminhável e o metrô é barato. Para atividades organizadas em grupo, veja o que fazemos para empresas e grupos.

Planeje o dia

Um formato que funciona: o Zócalo e o Templo Mayor de manhã, tacos no almoço, Bellas Artes e o centro à tarde, e Garibaldi ou uma mezcalería à noite. Se quiser dar um roteiro à manhã, veja como funcionam os nossos jogos, e você pode entrar em contato para organizar um. Gosta de grandes praças? Nosso guia sobre as melhores praças de Sevilha mostra o outro lado da mesma história colonial.