Os 5 melhores châteaux de Bordeaux e como reservar

31 de outubro de 2022

Bordeaux tem a maior área de vinhedo classificado da França e cerca de seis mil produtores, o que torna a escolha do destino a parte mais difícil. Duas coisas reduzem a lista rapidamente: quase todo château exige reserva, e os nomes mais famosos costumam ser os menos interessantes de visitar.

O único dado estrutural que vale conhecer é a classificação de 1855. Napoleão III pediu um ranking dos vinhos do Médoc para a exposição de Paris daquele ano; os corretores produziram uma lista de cinco crus baseada nos preços que os vinhos alcançavam. Ela quase não mudou desde então — a única promoção em um século e meio foi a do Mouton Rothschild a primeiro cru, em 1973 — e ainda hoje move os preços.

1. Château Smith Haut Lafitte

Em Pessac-Léognan, meia hora ao sul da cidade, é a visita mais bem cuidada de Bordeaux. A propriedade cultiva de forma orgânica, fabrica os próprios barris no local — uma das pouquíssimas que ainda fazem isso — e o passeio explica o ciclo inteiro, não só a adega.

Divide o terreno com um hotel e um spa construído em torno da vinoterapia, que usa polifenóis da uva em cosméticos e nasceu ali. Você pode achar isso ridículo ou excelente; o vinho é sério de qualquer jeito.

2. Château Pape Clément

Também em Pessac-Léognan, e a propriedade séria mais próxima da cidade — dá para chegar de bonde e uma curta caminhada, o que importa se você não está dirigindo. Há videiras no local desde o século XIV, quando pertencia ao arcebispo que se tornaria o papa Clemente V.

A visita é bem prática: algumas opções deixam você fazer o próprio corte a partir das castas que compõem o vinho, e isso ensina mais sobre Bordeaux em uma hora do que uma degustação.

3. Château Mouton Rothschild

Em Pauillac, a uma hora ao norte, é o único château da lista que é uma peregrinação de verdade. A visita inclui um museu de arte do vinho e a coleção de rótulos — desde 1945, cada safra tem um rótulo desenhado por um artista diferente, entre eles Picasso, Warhol, Bacon, Chagall e Kandinsky.

Reserve com bastante antecedência, porque as vagas são limitadas e o preço é alto. A maioria dos outros primeiros crus não abre ao público em geral, então este é o mais perto que você vai chegar.

4. Château Pichon Baron

Também em Pauillac, e o melhor edifício do Médoc: um château do século XIX de conto de fadas, com torres pontiagudas refletidas num longo espelho d'água. A vinícola atrás dele é inteiramente moderna, e o contraste é o ponto do passeio.

Pauillac é terra de Cabernet Sauvignon — vinhos firmes e estruturados, que pedem anos — e este é um bom lugar para entender por que as pessoas esperam.

5. Château d'Agassac

A vinte e cinco minutos da cidade, no Haut-Médoc, um château medieval cercado por fosso com a propriedade vinícola em volta. É bem menos grandioso que os outros e muito mais relaxado: recebe famílias, tem uma trilha a pé pelos vinhedos e um clima que não presume que você já saiba de nada.

Se você quer uma única visita e viaja com gente que não é entusiasta de vinho, escolha esta.

Se você só tem um dia na cidade

A Cité du Vin, o museu do vinho à beira do rio inaugurado em 2016, trata do vinho no mundo inteiro e não só de Bordeaux, e o ingresso inclui uma taça no último andar com vista para o rio. É uma boa alternativa quando não dá para sair até os vinhedos.

Questões práticas

Reserve tudo com antecedência; quase nenhum lugar aceita visitantes sem marcação. A maioria dos châteaux cobra pela visita, e a taxa costuma incluir uma degustação. A colheita acontece no fim de setembro e em outubro, quando muitas propriedades fecham para visitas — é a época mais movimentada do ano delas, não a melhor para conhecê-las.

Não dirija se for degustar. Há trens de Bordeaux para Pauillac e Saint-Émilion, tours de micro-ônibus saem todos os dias do posto de turismo, e Saint-Émilion é fácil sem carro: o vilarejo é patrimônio da UNESCO e várias propriedades ficam a pé.

Conheça a cidade como um jogo

A própria Bordeaux merece um dia: pedra do século XVIII, a maior área urbana da França listada pela UNESCO e o espelho d'água da Place de la Bourse. Um city game leva você por ela em equipes pequenas, com o celular, resolvendo enigmas ligados a ruas e prédios reais, sem guia e sem horário fixo de início — um bom uso do dia antes ou depois de uma degustação.

Funciona para amigos, famílias e saídas de empresa e grupos maiores. A página como funciona explica passo a passo.

Perguntas frequentes

Precisa reservar a visita a um château em Bordeaux?

Quase sempre, sim. Pouquíssimas propriedades recebem visitantes sem reserva, e as mais conhecidas lotam semanas antes.

Dá para visitar os primeiros crus?

O Mouton Rothschild faz visitas abertas ao público. Os outros costumam estar fechados ou só são acessíveis pelo trade.

Como chegar aos vinhedos sem carro?

De trem até Pauillac ou Saint-Émilion, ou de micro-ônibus organizado saindo de Bordeaux. O Pape Clément dá para alcançar pelo bonde da cidade.

Qual é a melhor época para ir?

Maio, junho e o começo de setembro. A colheita, no fim de setembro e em outubro, fecha muitas portas, e o inverno é mais tranquilo, porém frio.

Qual a diferença entre margem esquerda e margem direita?

Os vinhos da margem esquerda, do Médoc e de Graves, são sobretudo Cabernet Sauvignon; os da margem direita, de Saint-Émilion e Pomerol, são sobretudo Merlot e em geral mais macios quando jovens.

As degustações são pagas?

Normalmente sim, incluídas no preço da visita. Espere pagar mais nas propriedades classificadas e bem menos nas menores, familiares.

Vá, mas reserve antes

Bordeaux recompensa quem planeja mais do que qualquer outra região vinícola, e castiga quem aparece de surpresa. Veja todas as cidades onde temos jogos, leia sobre o sul em os melhores bares de Marselha ou fale com a gente se estiver organizando algo para um grupo.